Edição 2025 · Ensino Médio · 3º EM
Entre o Toque e a Reticência
Gustavo Silva Matos
SOL: O teu toque controla as correntes; o teu facho fulgura e me invade, Minha alma torna-se praia desértica em meio à indômita tempestade. Nosso arcano amor delineia-se no eclipse: semiluz e semiausência, Meio caos, meio perenidade — uma sublime prática de indulgência. LUA: Sou a Lua: regente das noites e dos fenômenos, amante vespertina. A que vigia sem tocar, que reflete tua luz por sobre a minha retina. Já não sei se te espero ou apenas te acolho como parte do que fui. Mesmo sem tua luz, ainda sou a Lua. E isso, por ora, me constitui. LUA: Se um dia eu deixar de orbitar para ti, não será por esquecimento. Será por exaustão ao girar em torno de um amor feito de movimento. Pois até eu, maestra dos ciclos, posso desejar repousar só no escuro, E negar a luz que amo, por saber que amar também é se tornar obscuro. SOL: Há uma inquietude que me insinua, qual Febe em prece silente. Tu és a guardiã das marés, e fazes a minha luz transcendente. És deusa em tua enorme glória, vagando em prata e plenitude, E eu, Hélio que te persegue, condenado à tua distante latitude.