Edição 2025 · Ensino Fundamental · 8º ano
Véu da Noite
Carlos Eduardo da Silva Geremias
No véu da noite, a Lua pálida a arder Vela os segredos que o abismo quer esconder Sombras sussurram preces de dor e Solidão Enquanto o tempo sangra em lenta devoção O lado oculto, que a Terra nunca viu O vácuo gelado onde o fervor se diluiu Lá, o regolito pó de cinza e de desgraça Guarda as pegadas da nossa podre raça Do grande Impacto vem a sua fria gênese Um fragmento da Terra, triste e em catacrese Sua gravidade, em segredo, move o mar Oceano de prantos que não pode secar Sem a atmosfera, jaz em perpétuo silêncio Um túmulo eterno, sem vento ou prenúncio A órbita síncrona a condena a observar A face humana que não cessa de chorar A face roubada pelo véu carmesim No eclipse, o astro anuncia o fim Seu ciclo morre, e a escuridão refaz, O novo crescente que o período traz.