Todas as poesias

Edição 2025 · Ensino Médio · 2º EM

Sob o Véu da Lua Antiga

Breno Felipe Andrade Meneses

No ventre do céu, nasce a deusa prateada, Selene conduz seus cavalos em mares de névoa, Diana, de arco em punho, vigia a madrugada, Enquanto Chang’e dança entre brumas de seda. Os lobos uivam hinos que o tempo decora, E Ártemis sorri — guardiã da floresta e da hora, De prata se veste a memória do mundo, Quando Ísis procura o corpo de Osíris defunto. Em cada fase, um mito desperta, renasce: O amor, o ciúme, o exílio, o enlace. Lágrimas lunares caem sobre o orvalho, São espelhos do homem, desejos sem atalho. Yemanjá escuta o cântico das marés, Que a Lua acende e apaga, conforme a sua fé. Do Japão, Tsukuyomi observa calado, Um deus de luz fria, em silêncios selado. Ó Lua, mãe de mitos, senhora da mutação, Teu rosto é o mesmo — mas nunca em vão. És o espelho dos deuses, eterna e fugaz, No céu, onde o tempo repousa em paz.