Edição 2025 · Ensino Médio · 2º EM
Poema para Quem Nasceu do Vazio
Beatriz Pereira Cardoso de Almeida
Lua: semente da alma, fruto do caos primordial, Solene que vela amantes no silêncio imortal. Mãe dos deSolados, guardiã do que não tem cura, amante dos errantes, dos poetas sem armadura. Ensina-me a viver como magia que nunca termina, a ouvir o grito do cometa que corta a noite divina, a sentir o eclipse que encobre o céu e revela o peito, e a tocar o ar como quem toca um segredo perfeito. Sou cigana das órbitas, filha da estrada celeste, Como Orfeu que buscou o impossível por amor, aceito a noite como templo, e a dor como flor. Sou o beijo da perda e a carne profana, - o medo da morte, da cura que em chama emana. Carrego constelações na saia, destino nos anéis, danço com nebulosas, converso com marés. Quando mínguo, renasço; quando caio, é promessa. No véu do céu, hinos canta, e a sombra me recolhe à linhagem da pressa.