Edição 2025 · Ensino Médio · 3º EM
Entre Marés e Silêncio
Jeferson Alves Soares
A Lua orbita tranquila, em silêncio, a mesma face voltada, um ato de lealdade. São mares de poeira, não de água, onde a luz do Sol toca e logo se despede. Há fases que crescem, seu nome é crescente, até que se preenche, em fulgor que devora. Depois, a presença se torna discreta e modesta, mantendo sua luz e fé no escuro. Orientou navegantes por séculos, moveu marés, sementes e sonhos ao amanhecer. A trezentos e oitenta mil quilômetros, dança em torno da Terra, em ciclos de ordem e mistério. Na superfície gelada, cento e vinte ao dia, menos cento e setenta na noite deserta. E mesmo à distância, mantém sintonia: sem a Lua, a poesia não existiria tanto.